João Campos chama de 'oportunismo político' pedido de impeachment após mudança de resultado de concurso público
João Campos chama de 'oportunismo' pedido de impeachment O prefeito do Recife, João Campos (PSB), chamou de "oportunismo político e eleitoral" o pedido de im...
João Campos chama de 'oportunismo' pedido de impeachment O prefeito do Recife, João Campos (PSB), chamou de "oportunismo político e eleitoral" o pedido de impeachment do qual é alvo, apresentado após a modificação do resultado de um concurso público para procurador municipal (entenda o pedido mais abaixo). No certame, o advogado Marko Venício dos Santos Batista, único aprovado nas vagas para pessoas com deficiência (PCD), deixou de ser nomeado e, no lugar dele, foi aprovado Lucas Vieira Silva, que é filho de uma procuradora do Ministério Público de Contas (MPCO) e de um juiz do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE O pedido de impeachment foi apresentado na sexta-feira (2) pelo vereador Eduardo Moura (Novo). Já a fala de João Campos ocorreu nesta quarta-feira (7), durante agenda no Barro, Zona Oeste do Recife. Questionado sobre o processo, ele disse ter "absoluta confiança na Câmara de Vereadores, que não vai se levar por nenhuma irresponsabilidade eleitoral". Ele lembrou que seu irmão mais novo, Miguel, é uma criança com síndrome de Down, e que os direitos das pessoas com deficiência são "uma causa de vida". "Esse debate se deu entre duas pessoas com deficiência, uma decisão administrativa reconhecendo o direito de uma pessoa que tem autismo e o direito de uma pessoa que tem uma deficiência física, que se sentiu prejudicada, entrou com um pedido de reconsideração que, de forma imediata, foi analisado e deferido pela Procuradoria. Agora, isso vai ser discutido na Justiça, quem tem direito. O que não dá é para ver isso sendo tratado com oportunismo eleitoral", afirmou. João Campos também disse que a discussão sobre qual candidato tem direito à nomeação deve ser feita na Justiça, com respeito, e não para atacar "uma gestão que tem respeito com as pessoas com deficiência". "Chega ano eleitoral, ano de eleição, nossos nomes aparecem de forma importante nas pesquisas e algumas pessoas acham que vale o jogo do vale-tudo. Não é assim. Vou tratar tudo com seriedade, com respeito, fazendo as coisas como devem ser feitas. O povo do Recife me conhece, sabe que eu trato todo mundo com respeito e trato as coisas de forma séria, assim como trato esse assunto", declarou. Resultado modificado Prefeito do Recife, João Campos (PSB), em imagem de arquivo PSB/Divulgação O concurso para Procurador Judicial do Recife ocorreu em 2022 e Marko Batista foi o único aprovado para a vaga reservada para pessoas com deficiência. Em junho de 2023, o resultado foi homologado, restando apenas a nomeação e posse do candidato. Conforme o pedido de impeachment, mais de dois anos depois da homologação, Lucas Vieira Silva, candidato inscrito nas vagas de ampla concorrência, apresentou diagnóstico de autismo e pediu à Procuradoria do Município reclassificação para concorrer às vagas PCD. Ele havia ficado em 63º lugar. Mesmo com pareceres contrários de três procuradoras concursadas, o pedido de reclassificação extemporânea do candidato foi deferido pelo procurador-geral do município, Pedro Pontes, que ocupa o cargo por indicação do prefeito. João Campos homologou a reclassificação e nomeou o novo aprovado em dezembro. O caso repercutiu amplamente e teve críticas da Associação Nacional das Procuradoras e dos Procuradores Municipais (ANPM) e da Associação dos Procuradores do Município do Recife (APMR). No dia 31 de dezembro, o prefeito voltou atrás, tornou sem efeito a nomeação de Lucas Vieira Silva e o substituiu por Marko Batista. O advogado assumiu o cargo na terça-feira (6). No pedido de impeachment, o vereador Eduardo Moura também cita que o pai do candidato beneficiado pela mudança no resultado do concurso é o juiz Rildo Vieira da Silva, da Vara Regional de Crimes Contra a Administração Pública, Ordem Tributária, Lavagem de Dinheiro e de Delitos de Organizações Criminosas da Capital. Ele assumiu a vara em outubro, mês em que a um procurador municipal se aposentou, deixando a vaga na Procuradoria. Eduardo Moura também afirma que o magistrado foi responsável por arquivar um processo referente à Operação Barriga de Aluguel, que investiga uma quadrilha suspeita de desviar recursos públicos que deveriam ser empregados em recuperação e manutenção predial. Os contratos somam mais de R$ 100 milhões. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias