Violência contra mulheres tem raízes históricas, dizem especialistas

Violência contra mulheres tem raízes históricas A violência contra mulheres no Brasil tem raízes profundas na formação histórica do país. Há 526 anos,...

Violência contra mulheres tem raízes históricas, dizem especialistas
Violência contra mulheres tem raízes históricas, dizem especialistas (Foto: Reprodução)

Violência contra mulheres tem raízes históricas A violência contra mulheres no Brasil tem raízes profundas na formação histórica do país. Há 526 anos, com a chegada dos portugueses, elas foram submetidas a diferentes formas de violência como o estupro, racismo e submissão. Especialistas apontam que essas desigualdades de gênero e práticas violentas permanecem, em muitos aspectos, na sociedade atual (veja vídeo acima). Para a historiadora Karuna de Paula, esse processo ajudou a formar as bases de uma sociedade marcada pela violência contra mulheres. Segundo ela, mesmo mulheres brancas tinham pouca autonomia e não eram reconhecidas plenamente como sujeitos de direitos. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE "A gente tem as bases de uma sociedade desde então violenta para com as mulheres. E aí, se formos pensar na condição de mulheres que não eram indígenas ou negras, mesmo as mulheres brancas não tinham uma série de autonomias que os homens gozavam, e não eram entendidas como seres de direito", afirmou. Tanto anos depois, a ideia de que homens e mulheres não são apenas diferentes e, sim, desiguais, continua existindo. A educadora Natália Cordeiro, do instituto SOS Corpo, afirma que a desigualdade contribui ainda para a naturalização da violência e na manutenção das coisas como estão. "Os homens vão se sentindo mais fortes, mais poderosos, e isso vai autorizando, legitimando, vai fazendo com que seja aceito socialmente que os homens cometam violência contra as mulheres. [...] Toda vez que uma mulher questiona essa situação de desigualdade, é muito comum que a violência se reproduza. A violência também é muito usada para manter as coisas como são", explica. A educadora Natália Cordeiro, do SOS Corpo, afirma que a desigualdade contribui para a naturalização da violência e na manutenção das coisas como estão.. Reprodução/TV Globo A vice-presidente do Instituto Maria da Penha, Regina Célia Almeida, explica que muitos casos de violência doméstica seguem o chamado "ciclo da violência", marcado por três fases: Lua de mel; Tensão; Agressão. "Na fase da lua de mel, você tem o seguinte: 'meu amor, meu bem-querer, você é a minha vida, o amor da minha vida'. No momento em que ela contraria esse amor da vida, que diz 'não, eu não quero isso, eu queria aquilo' (...), então vem uma fase de tensão. Nessa fase, ele vai dizer: 'você não era nada', 'você está assim, mas eu é que te tirei da lama', (...) e no momento em que ele encontra nela uma resistência em meio a essas falas e ameaças, aí ele parte para a violência física", detalha. Regina Célia Almeida, vice-presidente do Instituto Maria da Penha, explica que muitos casos de violência doméstica seguem o chamado ciclo da violência. Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: Renata, Mirella e Maristela: conheça vítimas de feminicídio antes de virarem estatísticas Conheça os efeitos violência de gênero no cérebro de mulheres Menos da metade das delegacias da mulher em PE funcionam 24 horas Já o professor Benedito Medrado, coordenador do Núcleo Feminista de Pesquisa em Gênero e Masculinidades da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirma que esses comportamentos também são resultado de construções sociais. "O problema é que ser homem, na nossa sociedade, está muito associado a uma aversão, há um certo distanciamento do cuidado, e uma aproximação muito mais com a violência. 'Mas isso é coisa de menina, isso não pode, isso não está certo porque a gente está com a cabeça separada'. Aí quando ele se torna pai, não sabe cuidar de uma criança”, disse. Apesar desse cenário, especialistas apontam que mudanças estão em curso. Movimentos de mulheres e redes de apoio têm ampliado direitos e incentivado vítimas a romper ciclos de violência. "A gente tem uma história acontecendo. De um lado, direitos sendo conquistados, mulheres sabendo que são donas de si, das suas vidas, que não precisam viver numa relação de violência, que têm direito a uma vida livre. E aí a gente vai tendo também movimentos acontecendo", afirmou Natália Cordeiro. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias